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27 de set. de 2012

Anna e Lilia

Coincidiu que Anna apareceu justamente naquela hora. E àquela hora, não era o momento adequado para aparecer. E aquele "erro" jamais seria reparado se não fosse sua estranha mania de se desculpar por tudo. Anna sabia que havia apenas remediado um futuro nada promissor. Enfim, padeceu de seus próprios exageros quando decidiu voltar atrás e beijá-la. E, estranhamente, daquela estranhesa, nasceu um grande amor. Mas estranho mesmo era apenas para os outros. Hoje, Anna e Lilia vivem felizes, apesar das desventuras.

26 de set. de 2012

Paparazzi

- Paparazzi!

Gritaram no meio da multidão, enquanto um flash de luz intensa capturava a cena do beijo flamejante entre o galã da novela mais vista da televisão brasileira e uma prostituta viciada em crack.
Em sua defesa, alegou amor a primeira vista, mas o juiz deu a sentença com oito batidas raivosas do martelo de jacarandá e verniz sueco na mesa de embuia com detalhes gótico-tardio do tribunal de pequenas causas.
Dois anos se passaram, o ator caiu em desgraça após um certo canal de TV explorar a notícia por mais de 1 mês em horário nobre. Hoje mora na rua, coberto apenas por uma caixa de papelão de geladeira e um bloco de construção pra esquentar o pouco de comida que consegue remexendo o lixo.
A prostituta, convidada para os melhores e mais populares programas de fofoca da TV, hoje é atriz em uma famosa novela. Com a grana da indenização, aplicou e mora numa ilha próximo à Santa Catarina.

Paparazzi!

Gritaram no meio da multidão, enquanto um flash de luz intensa capturava a cena do beijo flamejante da ex-prostituta, agora atriz famosa da TV e um mendigo com tatuagem no pescoço e passado famoso! Alguém também gritou que conhecia o mendigo de algum lugar, mas ninguém deu ouvidos. Uma semana depois do ocorrido, o fotógrafo foi demitido da famosa revista de fofocas, o mendigo foi encontrado morto por overdose, e a atriz faz na próxima semana seu terceiro ensaio nú para uma famosa revista masculina!

31 de ago. de 2012

Papo de cafeteria #001

Religiosamente os dois sentavam todos os dias no café, a mesma mesa, o mesmo pedido, o mesmo garçom. Só mudava mesmo era a conversa, nunca repetiam uma conversa, nunca deixavam em aberto o assunto do dia, e naquele dia o assunto era: a política das cotas do governo para jóqueis canhotos nas corridas de cavalo. E assim, Melo disparou seu comentário:

- Absurdo esse tipo de coisa, o governo devia investir em outros tipos de cotas.

- Absurdo mesmo será fabricarem as rédeas para esses cotistas. Imagine só quanto o governo vai gastar de verbas públicas com isso?!?! Aposto que tem a mão do nobre deputado metida nisso, ah, se tem!!! Esse café já esfriou!

- Não, não, não acho que isso vá resolver o problema. A coisa é muito mais política do que econômica.

- Nem uma coisa nem outra, isso é falta de respeito com a população e mais uma forma de roubar a gente. E esse café? Não vão mandar um quente??

- Sem sombra de dúvida. Mas você não acha que o Fernando Planct deveria ser o ministro nessa caso?

-  Sem sombra mesmo, café frio eu não aguento! Ora esse Ministro! Esse ai é do mesmo naipe daquele outro da Pesca, que nunca pôs uma minhoca num anzol! Me empresta teu celular, acabou o crédito do meu, vou pedir um café ali na outra cafeteria...

- Hahahahah...tá de brincadeira. E como ficam as medidas provisórias que já estão em vigor?

- Acha que estou de brincadeira? Me dá daqui o celular e você vai ver!!! Como você bem o disse, são provisórias, mas aposto que mundam as regras no meio do jogo, digo, da corrida, e ainda vão botar a culpa no cavalo... Espere um pouco, está chamando. Com ou sem leite?

- Não havia pensado por este ponto de vista. Sem.

- Sim, eu sempre penso no pior. Pobre do cavalo...

- Tá, ok! Vamos dizer que isso seja verdade. E nós dois, então, o que seria de nós se não tivéssemos a nossa cota do governo para apreciadores de café preto, nascidos entre 1963 e 1972?

- Isso não é problema meu, sempre digo isso, afinal nasci em 1961. Vão entregar em quinze minutos... Vai chegar frio!!!

- Definitivamente, acho que você deveria dar a última palavra nisso! Então cancela.

- Tem razão. Me dá o celular, vou cancelar o café!

Levantaram-se, com a certeza de que mais um assunto foi exaustivamente debatido, porque o amanhã chegará com mais um cafezinho e um novo assunto!

Conversa de pseudo-ajuda

Siga por este caminho. Disse o mestre.
- Onde ele vai me levar mestre? Indagou o aprendiz.
- A direção não importa, apenas como você irá construí-lo.
- Mas o caminho já está à minha frente.
- Não, o que existe aqui é uma possibilidade.

Ao cair da noite

Toda transformação o revigorava.Todas as noites de lua cheia ele se transformava.
Ao cair da noite ele deixava de ser ele mesmo, não podia evitar, era uma maldição ou qualquer outra coisa que você queira acreditar. Parava em frente ao espelho e tornava-se outra pessoa, outra personalidade. Na manhã seguinte o esquecimento, nada nem ninguém para contar seu imaculado segredo.
Os dias se passaram e mais uma lua chegou.
Foi para frente do espelho em em minutos não era mais ele.
Agora era Penélope a Drag Queen!

10 de ago. de 2012

Encontro marcado

         Nos conhecemos pela internet, e combinamos de nos encontrar naquele dia. Fiquei imaginando como ela seria: alta, morena, cabelos compridos, olhos azuis, coxas grossas; gostosa pra caralho. Sim, porque não sou de esperar pelo pior.
         Aquela surpresa me excitava e no caminho até sua casa fiquei imaginando muitas coisas. A gente se encontraria no prédio dela, e iríamos andar pela orla da praia, depois um restaurante e no final um motelzinho.
         Cheguei ao prédio e toquei o interfone, já tava excitado. Eu só pensava: tomara que seja linda, solteira, gostosa e more sozinha.
         Do outro lado do interfone ouvi um cachorro latindo desesperadamente e uma criança chorando, e no meio de toda aquela zorra, uma voz rouca gritando mais alto ainda:
- Quem é?
         Fiquei fudido e mudo enquanto ela não parava de repetir.
         - Quem é? Tem alguém aí? Fala logo que eu to ocupada!
O que eu falo agora, caralho...surtei!
         - É o gás. – puta que pariu, não saiu coisa melhor.
         - O gás? Essa hora? – bom, até eu ia desconfiar.
         - É um serviço especial de entrega. – piorou agora, pensei.
         - Mas eu não pedi gás. – e a voz saiu fina e rachada.
         - Ok. É que nós estamos passando para verificar se está tudo bem.
         - Bem? Claro que está. Por que não estaria? Mas que pergunta é essa? Caralho cara, to ocupada, e não quero porra de gás nenhum.
         - Então ta minha senhora, qualquer coisa liga para nossa empresa e a gente entrega a qualquer hora.
         - Eu não preciso de gás, meu prédio tem encanado, afff!.
         Bom! Agora a vaca foi pro brejo mesmo, pensei.
Tentei disfarçar, mas não dava pra disfarçar coisa nenhuma, mesmo assim saiu essa pérola:
         - Mas é gás combustível. – eu virei e ri!
         - Mas eu não tenho carro. Some daqui seu palhaço ou vou chamar a polícia pra te dar uma surra.
         E ouvi, de novo, ela pedir aos berros para a criança e o cachorro se calarem.
         - Então tá minha senhora, acho que foi engano. – eu já tinha desistido mesmo. Foda-se, pensei, vou embora.
         - É. Acho que foi mesmo.
         - Então até logo! – Não me perguntei porque, depois disso tudo, eu ainda me despedi dela.
         - Espere aí. Você entende de encanamento?
         - Não senhora, a empresa apenas entrega gás.
         - Eu tava precisando de um cara aqui pra arrumar a descarga do banheiro.
         Bom, eu já tinha perdido o encontro, então pensei na grana. Por que não? Eu já tinha perdido minha noite mesmo, e eu entendia um pouco de hidráulica. Resolvi subir.
         Quando a porta abriu, vi uma morena escultural, alta, de cabelos compridos, olhos azuis, coxas grossas, e gostosa pra caralho. Só a voz não combinava.
         - Oi – disse, gaguejando e olhando pros peitões dela.
         - Oi. Você pode vir por aqui. – ela virou aquela bunda pra mim e foi indo pra dentro do apartamento.
         Ela me levou até o banheiro para arrumar a hidra. Eu tava com tanto tesão que tive de enfiar a mão no bolso pra disfarçar. Depois de quinze minutos tava cheirando igual urubu morto, ela me olhando com nojo com a criança no colo, e o cachorro cheirando minhas pernas. Me senti o cara mais imbecil do mundo, mas valia pela grana que eu ia cobrar.
         - É sua filha? – perguntei.
         - Não! De jeito nenhum. A porra da minha vizinha saiu à tarde e deixou a filha dela e esse cachorro dos infernos aqui pra eu tomar conta e ainda não voltou, e pra piorar tenho um encontro que eu marquei pela internet com uma cara que ainda não chegou. Ta atrasado o imbecil. Eu detesto esperar e...

O Escrevinhador*

Não era um poema – versos tortos – no sentido técnico da palavra. Também não eram versos – poesia vazia – se um poeta os lê-se. Era sim um lamento – não um lamento de amor – mas quase uma ode à loucura e a dor.
O fato é que as letras estavam lá – não só letras – mas o sentido e o sentimento de cada palavra. Era como um perfume que roubava o ar e asfixiava quem o percebesse.
Ironia, pois sua vida sempre foi um romance no sentido técnico da palavra. E como escritor, era o melhor autor de suas próprias desventuras.

E foi num momento – no intervalo - que tirou a própria vida para vencer o medo da morte.

Não era – nem foi – um herói no sentido mítico da palavra – viveu suas aventuras como um coadjuvante à espera do papel principal. Morreu no final como fazia com seus melhores personagens. Não era um livro – no sentido de obra literária – mas tinha lá suas notas de rodapé, onde explicava que o conteúdo não vale nada sem uma premissa.
Afinal aquelas linhas não falavam de um conto – ou uma crônica diabólica – nem contavam a sua própria história: era apenas quase um poema!


* (ô). [De escrevinhar + - dor.] - S. m. Fam. > Escritor de muito pouco merecimento, ou nenhum; escrevinhadeiro, escrevedor, escriba, rabiscador, borrador. 

8 de ago. de 2012

O Livro

Quando o escritor abaixou a cabeça para autografar seu livro, não percebeu o olhar fixo e assombrado do menino. Naquelas mãos antigas, a caneta lentamente ia desenhando a dedicatória, enquanto o menino acompanhava com a cabeça. Não imaginava o que significava para ele ter um livro. A edição novinha em folha, ainda quente nas mãos do escritor, agora seria sua. Tremia ao pensar que chegaria em casa com ele, que os garotos do bairro rico saberiam que ele agora tem um livro também.
O escritor levantou a cabeça, olhou fixo o menino e sorriu, não disse nenhuma palavra e entregou o livro em suas mãos. O menino nem queria muito, nem sorriso, nem conversa, só queria mesmo era ver o escritor.
Ouvira falar muito dos escritores pelos meninos do bairro rico. Mas hoje não era conversa, era de verdade, um escritor de carne e osso bem a sua frente, dava até pra sentir o cheiro dele.
Mas o que valia mesmo era que agora ele podia se sentir como se fosse um menino do bairro rico. Toda vez que olhasse o livro na cabeceira da cama, lembraria deles e saberia que era igual, ou quase.
Só faltava mesmo saber ler!

2 de ago. de 2012

Um breve relato sobre a situação encontrada pelo delegado Samuel Carneiro a respeito de uma carta de sua amante encontrada pela esposa no bolso de sua calça, ao colocá-la para lavar:

- Fudeu!

Super-heróis

- Ei, moço, aqui é a fila?
- Sim.
- Obrigada!
...
...
...
...
...
...
...
...
...
...
- Oi, eu queria uma inteira pro filme do Batman às vinte horas, dublado.
- Mas essa é a fila do Homem-aranha, legendado, 3D, às dezenove e trinta!
- Porra!
...
...
...
- Vai ou não?
- E qual é a diferença?
- É outro herói.
- Que nada, são todos iguais, tem capa, máscara, luta conra o mal, e ano que vem tem continuação!
- É, você tem razão.
- Me vê esse mesmo. Vale pra qualquer herói né?, aí eu entro no Batman
...
...
- ?
- Vamos!!!
- Ok!
- Brigada.
...
- Próximo!

1 de ago. de 2012

Livros Inventados VI

"Os 100 piores contos brasileiros"

Seleção: Jocastro Nietto
Editora: CasadeLer

E por que não? Cansado de ler sempre os mesmos contistas? Quer abrir seus horizontes literários? Às vezes o pior pode ser muito interessante. É o que propõe Jocastro Nietto, 42, jornalista e autor desta coletânea interessante e autêntica.
Gosto não se discute. Leia e depois me diga o que achou desta dica, no mínimo, diferente.

31 de jul. de 2012

Pseudo-poema II

Entra agora
Nesse mundo de sonho
E me espera
Que já vou chegar.
Acende a luz das lanternas
E me espera
Que já vou chegar.
Plante as flores
Nos vasos que encontrar
E me diz
Se já posso entrar.
Sai agora
Desse mundo de sonho
Que estou bem aqui
A te esperar

Pseudo-poema I

Minha fala vem de um desejo
De um devaneio
De uma promessa
De um canto
Em meu coração.

Minha fala
São palavras incertas
Cheia de vontades
De sonhos
De espanto.

Quem sou quando sou palavra?
Quando sou desejo?

O que sou eu quando prometo?
Quando sonho?

Minha fala vem de um desejo
Encarnado num beijo
Tatuado na carne
Cravado feito estaca
Rasgando o coração

25 de jul. de 2012

"Bookwitter", um livro em 140 caracteres

Acabei de inventar esta expressão para classificar os leitores dessa nova conjectura. O que quero dizer com isso é que esta geração, viciada em twitter, não consegue ler mais que 140 caracteres sem perder o interesse pela leitura. Ou seja. Quer ser lido? Conte uma história com no máximo este número de caracteres se quiser realmente ser lido, entendido e seguido por eles. Aqui vou eu...a partir de agora me especializar em "bookwitters"

A invenção do conto

A invenção do conto surgiu de um grande acaso da observação. E onde haviam cenas, introduziram-se as palavras para descrever o que o olho já sabia existir.
O texto já estava pronto antes mesmo das letras fazerem sentido aos sentidos humanos. E surgiu o inventor sem saber que inventava, deixando que a sua criação tomasse o caminho das histórias por si mesmo.
E assim, o conto se tornou algo que não precisa de provas, apenas de um leitor!